A BUROCRACIA INSUPORTÁVEL DO BRASIL

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Seria complicado demais registrar-me no mundo em multiplicidade, então sou por convenção, por facilidade e sou indivíduo por necessidade didática de compreensão, mas descubro-me tantas a cada confronto com minha imagem duplicada e com os tantos corpos que atravessam a superfície dos meus olhos. Posso ser o que quiser no jogo cotidiano da existência, o que quero ser e aquilo que esperam que eu seja. Não alimento ilusões quanto a um eu fixo, uma essência que se descobre com convivência. Convivo comigo e desconheço minha última camada ou face. Sei apenas que sou palco vivo, que caminha apresentando-se como espetáculo, monólogo ou diálogo, tragédia ou comédia e posso chover e ser sol quando me apetece. “Deixar de viver seus sonhos por causa de burocracia é burrice!”

Por quantas provas terá ele que passar? Tudo isso que está aí no ar, malas, cuecas que voam entupidas de dinheiro, do meu, do nosso dinheiro que reservamos duramente anos para educar os meninos mais pobres que nós, para cuidar gratuitamente da saúde deles e dos seus pais, esse dinheiro viaja na bagagem da impunidade e eu não posso mais. Só de sacanagem! Dirão: “Deixa de ser boba, desde Cabral que aqui todo mundo rouba” “Dói tanto que não dói mais”

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Você já deveria conhecer meu tom seco e sarcástico e minha insuportável mania de falar a verdade sem me importar com o que os outros vão pensar. Sem me importar se vão continuar gostando de mim mesmo assim. Eu nunca precisei fingir que sou uma pessoa boa. Nunca precisei fingir que eu não estou nem aí quando eu estou mais aí do que aqui, não faz meu tipo. Me esforço às vezes pra ser romântico, pra acreditar nos planos, pra acreditar nas pessoas e nunca chorei pra convencer. Talvez porque não faço questão de convencer. Ou, como você mesmo diz, sou direto, frio e seco. E nada disso é novidade para ninguém. É só o meu jeito.

Eu não sou fácil, não me vendo, não aceito migalhas, não gosto de metades. Sou um império do bem e do mal. Sou erótico, sou neurótico. Sou bom, sou má, sou biscoito de polvilho. Açúcar, sal, mousse de maracujá. Só não sou um brinquedinho, que alguém joga no canto do quarto quando e não quer mais brincar. Sou um pacote. Uma mala. Sou difícil de carregar de engoli. No Brasil, sucesso é ofensa pessoal.

2 comentários em “A BUROCRACIA INSUPORTÁVEL DO BRASIL

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