AS BOAS E MÁS LÍNGUAS

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Alguns buscam a vitória nas armas, outros se escondem atrás da religião e alguns ainda colocam outras pessoas para lutar em seus próprios lugares, Mas de fato as estratégias são tão diversificadas quanto são as pessoas que as usam, e para ser sincero, diria que a crueldade das pessoas é a única coisa maior que as suas próprias lutas travadas entre-se. 

Sem falar nas muitas armas que um homem pode portar, uma em especial me encanta, mas ao mesmo tempo me aterroriza, mais do que qualquer outra. Quando digo “arma” poderiam pensar em bomba, guerra…, mas não! A qual eu falo, é uma bem menor, mas com um poder devastador e infinitamente maior de qualquer guerra, aliás, é capaz de controlar qualquer guerra…

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Me refiro a língua. Uma arma por vezes esquecida mas continuamente usada ainda em longa escala para matar, roubar, destruir, sendo ela a melhor e maior especialidade do homem. Dizem as boas “línguas” que apenas quem já foi ferido por uma língua afiada sabe o poder que ela tem! Mas é claro, poderia também falar do bem que ela pode fazer, mas estou confiante em crer que o “homem” aprende mais com a dor do que com o amor.

Eu acredito que um veneno natural pode ser neutralizado com uma amostra do que contém em si, mas uma palavra não!. Muitas vezes não existe forma melhor no mundo de dizer “perdão”, que possa curar uma ferida provocada por uma língua afiada.

A DOR!, Q DÓI MAIS…

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Trancar o dedo numa porta dói. Bater com o queixo no chão dói. Torcer o tornozelo dói. Um tapa, um soco, um pontapé, doem. Dói bater a cabeça na quina da mesa, dói morder a língua, cárie e pedra no rim. Mas o que mais dói é saudade.
Saudade de um irmão que mora longe. Saudade de uma cachoeira da infância. Saudade do gosto de uma fruta que não se encontra mais. Saudade do pai que já morreu. Saudade de um amigo imaginário que nunca existiu. Saudade de uma cidade. Saudade da gente mesmo, quando se tinha mais audácia e menos cabelos brancos. Doem essas saudades todas e mais um pedaço delas, que ficam nas pessoas que passam por elas. 

O QUE VOCÊ FARIA SE MORASSE SOZINHO POR UM DIA ¿

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Com a mais absoluta certeza eu faria tudo sem roupa, você já ficou?… é libertador, não sei por que a Eva foi comer maçã no paraíso!. Mas seja na cozinhar, comer, dormir, abrir a geladeira de madrugada, assistir filme ou seja qual for minha vontade… Eu iria fazer tudo no banheiro de porta aberta. Quer mais liberdade que isso?

Alguns chamariam o amorzinho ou o MOZÃO para ver um “filme”, outros já seriam diretos e sinceros fazendo suas loucuras até o chega não chegar… Limparia a casa inteira e ficaria admirando e ver que ninguém a sujou por horas e horas, ando com tanto pavor de bagunça que não faria nada… só para não ter que arrumar nada depois!

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Faria a festa mais marcante da minha vida com meus amigos ou convidaria meus pais para passarem a tarde comigo, pois meu maior medo é conversar com o rádio no engarrafamento, enfrentar um final de semana sozinho depois de ouvir os programas dos meus colegas, escavar a noite para encontrar um par e voltar mais solteiro do que antes, indecisão ao escolher um presente para mim, expectativa de dar certo na família que não me deixa ao menos dar errado, escutar uma música… entender a letra e faltar uma companhia para concordar comigo, medo de não conseguir acabar uma cerveja sozinho… Afinal vivo LOUCURAS…. Para descobrir VERDADES!

O que a gente não pode mesmo, nunca, de jeito nenhum… É amar mais ou menos, sonhar mais ou menos, ser amigo mais ou menos, namorar mais ou menos, ter fé mais ou menos, e acreditar mais ou menos. Senão a gente corre o risco de se tornar uma pessoa mais ou menos. #ChicoXavier

PREVISÍVEL E ORIGINAL; MANHÃS DE SETEMBRO, O ANDAR DE BAIXO COMO VOCÊ NUNCA VIU

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Manhãs de Setembro é protagonizada por Liniker no papel de Cassandra, uma travesti que trabalha como motogirl, em uma possante de duas rodas que vive pifando. Mora em um dos muitos muquifos da cidade, a exemplo de todos os protagonistas.

Obcecada por Vanusa, recria as interpretações da cantora como crooner em uma boate acompanhada pelo guitarrista Décio (Paulo Miklos). Tem um caso com Ivaldo (Thomas Aquino), um homem casado, cuja filha adolescente inicia um namoro lésbico. É amiga do seu guitarrista Décio e de seu namorado Aristides (Gero Camilo), um ex padre que ainda crê nos princípios cristãos, sobremaneira.

Cassandra vive sua vida “normal”, até que aparece Leide (Karine Teles), garota com a qual Cassandra (ainda chamado Clóvis) tivera uma relação sexual que gerou um filho, o pequeno Gersinho (Gustavo Coelho). Leide mora dentro de um carro velho com o filho e procura Cassandra em seu apartamento para apresentar-lhe o “pai”, e pedir para que cuide do menino enquanto procura empregos diversos — e encrencas. Cassandra se vê numa enrascada fora de seus planos iniciais.

Eis o núcleo básico de Manhãs de Setembro. Pressuposto primeiro: não há heróis, e os protagonismos e antagonismos se dão por natureza situacional. Pressuposto segundo, e definitivo: ninguém tem nada. Estamos de fato diante do “andar de baixo” da sociedade, retratado em roteiro e diálogos brilhantes escritos por Alice Marcone, Carla Meirelles, Marcelo Montenegro e Josefina Trotta.

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Para não dizer nada: Cassandra tem uma moto velha, Leide o carro podre onde mora, e Décio uma belíssima guitarra Gibson com a qual acompanha Cassandra na boate. Estáveis — aparentemente — apenas o casal Décio e Aristides. Ivaldo, em vida dupla, até que aparenta. Tudo o mais parece insustentável, aguardando explodir ou derreter, voltando à invisibilidade dos desvalidos da Pauliceia.

A trilha sonora é praticamente toda baseada no clássico álbum de 1973 de Vanusa. E na primeira cena do primeiro episódio já entra o petardo What to Do, de Papi e Alf Soares, sob cuja levada surgiu a lenda de a canção ter sido plagiada pelo Black Sabbath. As versões cantadas por Liniker/Cassandra na boate são comoventes, e dão um sentido de arte e criação coletiva à produção. O que não falta em Manhãs de Setembro é criatividade.

Nos afeiçoamos a cada um dos membros desta fauna paulistana, enfim “visível”,  em cinco episódios primeiros. Fica a enorme expectativa pela segunda temporada. Manhãs de Setembro cheira a divisão-de-águas no audiovisual brasileiro. Com o sobrevoo constante do “drone” de Vanusa, abençoando cada detalhe. A sorte está lançada.

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